Nona fase da operação contra esquema de fraudes contou com outros 15 mandados de prisão, incluindo filhos do “Careca do INSS” e de ex-diretor; senador Weverton foi alvo de busca e apreensão.
A Polícia Federal (PF) conduziu nesta quinta-feira (18) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, número dois da Previdência do governo Luiz Inácio Lula da Silva, teve prisão domiciliar decretada e foi afastado do cargo pelo ministro Wolney Queiroz.
Jornalista com mais de 23 anos de atuação no Congresso, Portal trabalhou como chefe de gabinete de diversos parlamentares do PDT – incluindo o senador Weverton Rocha (PDT‑MA), que também foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta fase.
A operação desta quinta contou com 16 mandados de prisão preventiva e cumpriu 52 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em seis estados e no Distrito Federal.
As ações “visam aprofundar as investigações da Operação Sem Desconto e esclarecer a prática dos crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial”, afirmou a PF, em nota.
Também foram presos, dentre outros, Romeu Carvalho Antunes (filho de Antônio Carlos, o “Careca do INSS”) e Éric Fidelis (filho do ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis).
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A operação
A Operação Sem Desconto começou em abril deste ano, quando já haviam sido identificados descontos irregulares cobrados sobre aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS via associações ou entidades fantasmas. Os mandados desta quinta integram a nona fase da operação.
Os investigadores apontam que a organização criminosa atuou entre 2019 e 2024 e pode ter causado desvios de até R$ 6,3 bilhões. Esses recursos, obtidos mediante supostas “mensalidades associativas”, eram desviados para empresas de fachada, contas de terceiros e usados para aquisição de bens de luxo, ocultando o dinheiro ilícito.
A PF relata práticas de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário, além de ocultação e dilapidação patrimonial.
A corporação apontou a existência de um conluio entre as entidades investigadas para operar repasses a ex-diretores do INSS. Ao menos três ex-dirigentes do órgão teriam recebido mais de R$ 17 milhões por meio de intermediários: Virgílio Antônio, ex-procurador-geral, André Fidélis, ex-diretor de Benefícios, e Alexandre Guimarães, ex-diretor de Governança do INSS durante o governo Bolsonaro.
A investigação aponta que o esquema era operado por Antonio Carlos Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O lobista movimentou R$ 24,5 milhões em cerca de 5 meses, e era procurador com “plenos poderes” para representar algumas das entidades. Pessoas e empresas ligadas a ele receberam ao menos R$ 48 milhões das associações suspeitas. Ele foi preso em setembro.
Em novembro, o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto , também teve prisão decretada, ao lado de outros nove suspeitos.