{"id":3234,"date":"2025-12-18T14:37:09","date_gmt":"2025-12-18T17:37:09","guid":{"rendered":"https:\/\/cristalvoxnews.com.br\/?p=3234"},"modified":"2025-12-18T14:39:15","modified_gmt":"2025-12-18T17:39:15","slug":"marco-temporal-stf-derruba-decisao-do-congresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cristalvoxnews.com.br\/?p=3234","title":{"rendered":"Marco temporal: STF derruba decis\u00e3o do Congresso"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em mais uma queda de bra\u00e7o com o Congresso, ministros do Supremo julgam inconstitucional proposta que limita direito a reconhecimento e demarca\u00e7\u00e3o a terras ocupadas por ind\u00edgenas em 1988.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/stf\/t-39374707\">Supremo Tribunal Federal (STF)<\/a>&nbsp;formou maioria na noite de&nbsp;quarta-feira (17\/12) para derrubar o chamado&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/entenda-o-marco-temporal-das-terras-ind%C3%ADgenas-aprovado-pelo-senado\/a-65770968\">marco temporal<\/a>&nbsp;. A tese, contestada por povos ind\u00edgenas e entidades de defesa do meio ambiente e encampada por grande parte do agroneg\u00f3cio, define que os territ\u00f3rios ind\u00edgenas devem ser reconhecidos com base em sua ocupa\u00e7\u00e3o em 1988, ano na promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a noite de quarta-feira, seis ministros haviam votado pela inconstitucionalidade dessa defini\u00e7\u00e3o, incluindo o relator,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/gilmar-mendes\/t-65591611\">Gilmar Mendes<\/a>&nbsp;. O&nbsp;julgamento no plen\u00e1rio virtual continua nesta quinta,&nbsp;faltando cinco votos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi&nbsp;mais um epis\u00f3dio do vai e vem das negocia\u00e7\u00f5es sobre o tema envolvendo o Congresso e o STF. A corte j\u00e1 havia considerado o marco temporal inconstitucional em 2023, mas o Congresso aprovou uma lei no mesmo ano estabelecendo a tese. Na \u00e9poca, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva vetou parte do texto, mas os&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/congresso-derruba-vetos-de-lula-ao-marco-temporal-entenda\/a-67726637\">congressistas derrubaram o veto<\/a>&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento em curso no STF analisa quatro a\u00e7\u00f5es que envolvem essa lei. No entanto, na semana passada, o Senado aprovou uma Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) sobre o mesmo assunto. A nova ofensiva legislativa ainda precisa passar pela C\u00e2mara.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao decidir, por maioria, derrubar o marco temporal, o STF mant\u00e9m o entendimento, avalizado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, de que a Constitui\u00e7\u00e3o brasileira garante aos povos ind\u00edgenas o direito \u00e0 propriedade coletiva com base nos la\u00e7os tradicionais com seus territ\u00f3rios, e n\u00e3o em uma data espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai) ser\u00e1 a respons\u00e1vel por apresentar uma lista de antiguidade das reivindica\u00e7\u00f5es, de acordo com os votos apresentados at\u00e9 o momento. Os ministros concordaram com um prazo de 10 anos para a finaliza\u00e7\u00e3o dos procedimentos de demarca\u00e7\u00e3o pendentes.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com dados da Funai apresentados no voto do relator, ministro Gilmar Mendes, h\u00e1 231 processos administrativos em curso para demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, sendo 158 pedidos de demarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nossa sociedade n\u00e3o pode conviver com chagas abertas s\u00e9culos atr\u00e1s que ainda dependem de solu\u00e7\u00e3o nos dias de hoje, demandando esp\u00edrito p\u00fablico, republicano e humano de todos os cidad\u00e3os brasileiros (ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas) e principalmente de todos os Poderes para compreender que precisamos escolher outras salvaguardas m\u00ednimas para conduzir o debate sobre o conflito no campo, sem que haja a necessidade de fixa\u00e7\u00e3o de marco temporal em 5 de outubro de 1988, situa\u00e7\u00e3o de dif\u00edcil comprova\u00e7\u00e3o para comunidades ind\u00edgenas que foram historicamente desumanizadas com pr\u00e1ticas estatais ou privadas de retirada for\u00e7ada, mortes e persegui\u00e7\u00f5es&#8221;, escreveu Gilmar Mendes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Agroneg\u00f3cio na defesa do marco<\/h2>\n\n\n\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o garante aos ind\u00edgenas &#8220;os direitos origin\u00e1rios sobre as terras que tradicionalmente ocupam&#8221;. No centro da disputa sobre o marco temporal est\u00e1 a defini\u00e7\u00e3o dessa ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os defensores da tese alegam que estabelecer um marco temporal claro, que \u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, d\u00e1 certa seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa emenda n\u00e3o visa negar o direito dos povos ind\u00edgenas \u00e0s suas terras, mas, sim, oferecer uma base s\u00f3lida para a demarca\u00e7\u00e3o, evitando conflitos e incertezas que prejudicam tanto as comunidades ind\u00edgenas quanto outros setores da sociedade&#8221;, diz a justifica\u00e7\u00e3o da proposta, de autoria do senador Dr. Hiran (PP\u2013RR).<\/p>\n\n\n\n<p>O agroneg\u00f3cio \u00e9 a principal for\u00e7a de apoio \u00e0 tese, representada no Congresso pela Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA), que d\u00e1 suporte \u00e0 bancada ruralista. A frente diz que o marco &#8220;garante a estabilidade das rela\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e territoriais no pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o governo, a tese tem o efeito oposto, de retrocesso e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/viol%C3%AAncia-contra-ind%C3%ADgenas-piora-no-1%C2%BA-ano-do-marco-temporal\/a-73442086\">viola\u00e7\u00e3o de&nbsp;direitos fundamentais<\/a>&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A lei [aprovada em 2023] colide frontalmente com a tese constitucional consolidada, segundo a qual o direito ind\u00edgena decorre da ocupa\u00e7\u00e3o tradicional e n\u00e3o de crit\u00e9rios de posse civil ou de marcos cronol\u00f3gicos arbitr\u00e1rios. Essa contradi\u00e7\u00e3o institucional cria um estado de inseguran\u00e7a jur\u00eddica sem precedentes, pois duas ordens normativas agora coexistem: uma constitucional e consolidada pelo STF e outra infraconstitucional, que a contradiz frontalmente&#8221;, defendeu, em nota, o Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>O minist\u00e9rio destaca ainda que a instabilidade gerada pelo marco temporal &#8220;abriu brechas para&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/inf%C3%A2ncia-ind%C3%ADgena-mortes-evit%C3%A1veis-tiros-e-marcas-de-gado\/a-74283707\">atos de viol\u00eancia<\/a>&nbsp;que t\u00eam os ind\u00edgenas como as principais v\u00edtimas&#8221;. &#8220;A norma desestabiliza par\u00e2metros m\u00ednimos de previsibilidade jur\u00eddica e funciona como vetor de legitima\u00e7\u00e3o de discursos e narrativas anti-ind\u00edgenas&#8221;, afirma o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cr\u00edticas ao STF<\/h2>\n\n\n\n<p>Em seu voto, o&nbsp;ministro Gilmar Mendes manteve alguns t\u00f3picos da lei que define o marco temporal, como um prazo de 10 anos para a Uni\u00e3o concluir processos demarcat\u00f3rios. Ele autoriza a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nas terras ind\u00edgenas pela pr\u00f3pria comunidade e assegura ao posseiro a perman\u00eancia na \u00e1rea at\u00e9 o pagamento das indeniza\u00e7\u00f5es devidas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib) citou alguns pontos do relat\u00f3rio, como a possibilidade de &#8220;compensa\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e0s comunidades ind\u00edgenas com a concess\u00e3o de &#8220;terras equivalentes \u00e0s tradicionalmente ocupadas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A medida remete \u00e0s remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas promovidas pelo antigo Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao \u00cdndio (SPI) e \u00e9 incompat\u00edvel com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988. Al\u00e9m disso, o texto n\u00e3o define de forma objetiva o que caracterizaria essa suposta impossibilidade de demarca\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma a entidade, em nota.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O voto amplia as possibilidades de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, permitindo atividades como turismo e coopera\u00e7\u00e3o ou contrata\u00e7\u00e3o de terceiros n\u00e3o ind\u00edgenas, sem vedar expressamente pr\u00e1ticas de alto impacto ambiental, como pecu\u00e1ria e agricultura extensiva, atualmente proibidas&#8221;, pontua a Apib.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em mais uma queda de bra\u00e7o com o Congresso, ministros do Supremo julgam inconstitucional proposta que limita direito a reconhecimento e demarca\u00e7\u00e3o a terras ocupadas por ind\u00edgenas em 1988. 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